A paz é que o povo chama/ a paz é que o povo chama/ Se há que expor ideias / que vão a nosso contento / é discutir com maneiras / o que vai no pensamento / Angola é mulher é flor/ é mãe que a todos ama/ acabem com esta dor / a paz é que o povo chama.
(Vários músicos, in Projecto "A Paz é que o Povo Chama")

Quinta-feira, Julho 31, 2008

"África mãe Zungueira"

(Nossa homenagem às mulheres desta imensa África. Angodebates)

Esta que se aproxima
carrega uma criança às costas
e outra no ventre
uma nuvem húmida rasga-lhe a blusa
lembrando que é hora de parar e amamentar
e lá vai ela seguindo o itinerário que a barriga traçar
gestora de um ovário condenado a não parar
porque é património social
penhora o útero na luta contra a taxa de mortalidade

Conhece bem demais a cidade

não tanto pelos monumentos
mas pela necessidade
viandante como a borboleta
fez-se fiel e histérica amante
da lei da compra e venda de porta à porta
uma lei entretanto não prevista por lei
“depender só do marido? Nunca”
mal acordou a urbe já peleja aliciando clientes
no estômago só o funji do jantar de ontem
sem tempo sequer para escovar os dentes

Lá vai mais uma dobrando a esquina

de pregão firme como a voz do tambor
humilhada aos poucos pelo sol

nos mapas de salitre da poeira que adormeceu no suor

Forte por fora muitas vezes vulnerável no íntimo

veja esta nos olhos encarnados grita despercebida
uma mulher mal amada
nunca descoberta
rainha de etapas queimadas
ele que devia ser companheiro
é de se esconder no copo
quando os ventos são ásperos
autêntico chá em taças de champanhe
não estar disposta para mais um suor sagrado
é para ele frontal apelo à violência
habituada a levar da cara
odeia a sinceridade do espelho

Por aqui passou mais uma profissional da zunga

protagonista anónima com mil mestrados da vida
contudo não contada na segurança social
para o turista uma espécie de paisagem
rosto de uma noite que lançou a mulher
às avenidas dialécticas dos centros urbanos
no seu dever de sustentar a sociedade
a mesma que a condenará antes de amanhecer
por não participar da vida política
ou por não saber ler
nem escrever

In «Consulado do Vazio», 28, Gociante Patissa, KAT-Benguela, Maio 2008

Terça-feira, Julho 29, 2008

novos poetas em benguela (do Blog Soantes)

http://soantes.blogspot.com/2008/07/novos-poetas-em-benguela.html

Surgiu em Benguela, nestes últimos tempos, uma editora, a KAT, ligada a uma associação cívica. A sociedade civil levanta o estandarte da cultura. A editora abriu uma colecção chamada «Nova Safra» para publicar novos poetas da província de Benguela. O primeiro número saiu agora mesmo, sendo o feliz premiado um jovem promissor, Gociante Patissa. O título é Consulado do Vazio. Quando voltar a luz transcreverei um poema dele.

posto por soantes às 17:49

Quinta-feira, Julho 24, 2008

Para rir: Político erudito contra bêbado (mas) inteligente... A estranha beleza da língua portuguesa

NOTA: É uma anedota recebida por e-mail, numa colaboração do amigo João Gomes, a quem desde já se reitera a gratidão, e desejamos a todos "bom proveito". Angodebates.
*Este texto é dos melhores registos de língua protuguesa que eu tenho lido sobre a nossa digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira. *
ESTRANHA A BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:
- *Compatriotas*, *companheiros*, *amigos*! Encontramo-nos aqui,*convocados *, *reunidos* ou *juntos* para *debater*, *tratar* ou *discutir* um *tópico*, *tema* ou *assunto*, o qual me parece *transcendente*, *importante* ou de *vida ou morte*. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha *postulação*, *aspiração* ou *candidatura* a Presidente da câmara deste Município.
De repente, uma pessoa do público pergunta:- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:
- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.
De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':
- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (HIC) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (HIC), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (HIC) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (HIC). E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (HIC) os seus haveres, coisas ou bagulhos/trastes (HIC) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (HIC) à *Leviana da sua Progenitora*, à *Mundana da sua Mãe Biológica* ou à *Puta que o Pariu*!

Viva a paz, viva Angola!

Sábado, Julho 19, 2008

Alguns poemas da obra "Consulado do Vazio" que já se encontra nas bancas nas cidades do Lobito e Benguela

Canos soltaram gargalhadas
E no rosto deste sonho sem fim
que já passou da idade de ir à escola
pintam-se telas de alegres destinos
traçados com vontade e certezas cantadas
os gatilhos não mais cumprirão os dedos
o automatistmo que os envaidece adormecerá
blindados sentar-se-ao
ao chão
esquecidos
enferrujados
as covas não mais serão notícia
«In Consulado do Vazio, Gociante Patissa, KAT-empreendimentos e consultoria, Benguela, Maio 2008»
Isso eu já sei
Quando partirem
não os censurarei
se me abandonassem
não os condenaria
nem que me viesse alguém atiçar o faria
Que não fui para os que me conheceram
exemplo consistente de companhia
ora isso eu já sei
«Idem»

Quinta-feira, Julho 10, 2008

M.N. responde à crónica: "Micaela Reis em outros mares de cueca na mão"

Para ler a crónica, clique: http://angodebates.blogspot.com/2008/06/crnica-micaela-reis.html

«Estimado Gossiante (sic) Patissa,

Este post deixou-me um pouco triste… um Blog que admiro (e continuarei a admirar) porque preza pela liberdade não deveria ser tão conservador e castrador sob pena de parecer retrógrado.

Deixemos a bela da miúda mostrar os seus dotes. Isto é uma arte e não tem nada de imoral. A dedicação do fotógrafo e a entrega da modelo é bastante profissional e eu, ao contrário do amigo, sinto-me vaidoso pelo Mundo poder vislumbrar a beleza das angolanas. Ela apenas mostra tudo aquilo que já vemos na praia.O amigo Gossiante deveria fazer um post, e esse sim seria justo, a condenar o comportamento das raparigas que no “Chirinawa”, e em outras discos do país e em festas de quintal, se roçam aos homens de uma forma imoral.

Tenho vergonha de entrar na disco com a minha mãe ou irmã porque as pistas das discos parecem palco de filmes pornográficos.Nas festas de crianças, baptizados, e casamentos, em todo lado vemos casais em quase plena fornicação, a frente de idosos e crianças, a luz de todos… Esses comportamentos sim devíamos condenar porque tem mesmo implícito uma vertente sexual.

A foto da Micaela e a sua reportagem, que eu li, não tem nada de imoral.Ela não é propriedade ou bandeira de Angola, ela representou Angola em eventos e nestas fotos apenas vemos a Micaela Reis, cidadã angolana, dona do seu corpo. Apreciemos a beleza angolana no seu esplendor…

Um grande abraço
M.N Desabafosangolanos.blogspot.com
Julho 07, 2008 9:12 PM»

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Nosso contributo para a melhoria do Hotel M’Ombaka (É preciso não voltar a parquear viaturas no passeio)

São cada vez mais evidentes os sinais da entrada em obra do Hotel M’ombaka. Ao alcance do olho de qualquer cidadão está a aplicação (ainda não concluída) da vedação do edifício e do recinto do jardim adjacente com chapas de zinco, isso sem nos esquecermos dos chineses “residentes” - habitualmente repousando em “maralha” nos bancos do jardim ou "pendurados" nas janelas de um dos andares do edifício e que para as crianças servem de “paisagem”. Dentro de cinco meses, fazendo fé nos “timings” da Maboque (esqueçamos, por favor, a tradição de não se cumprirem os prazos das empreitadas em Angola), teremos de volta o “nosso” Hotel M’Ombaka aberto ao público.

Enquanto aguardamos com ansiedade pela reinauguração, algumas perguntas que se impõe colocar:

1. Terá acatado as sugestões ecoadas pela imprensa, no sentido de se acabar com as “puxadas” de energia para a vizinhança, pelo menos de forma tão pouco estética e um tanto perigosa com cabos à vista?
2. Continuaremos a assistir ao deselegante espectáculos de jeeps top de gama parqueando no passeio e na faixa de rodagem à porta do edifício, na ausência de um sítio apropriado para o efeito, para o óbvio atropelo às regras de trânsito?
3. Será o recinto do jardim (também vedado para obras) propriedade do Hotel M’ombaka, ou da administração Municipal de Benguela?

Bom, o que o Angodebates defende é que, tendo em conta o largo espaço do recito do jardim, sintuado entre dois quarteirões, então que se aproveitassem pelo menos 15 metros de comprimento e 4m de largura da parte da rua descendente que dá à Angola Telecom. Com todos os riscos próprios de sugestões não saídas da banca de arquitecto, parece-nos que entre continuar a obstruir o passeio (só) para manter intocável o rosto deixado pelo colono e devolver o passeio aos peões, essa última premissa deve prevalecer.
É nossa sugestão, enquanto cidadãos, até que nos digam que já foi descoberta uma saída mais aconselhável para enterrar a grande trapalhada que é para o hotel o parqueamento de viaturas.
Gociante Patissa